Bolsonaro herda eleitor e temas do malufismo em SP
26/08/2018 22:26 em Notícias
 

 

Candidato do PSL lidera pesquisas de intenção de voto no cenário que exclui Lula

 
A candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República encontrou em São Paulo a recepção de um eleitor que se identifica com o discurso e os valores associados ao ex-governador Paulo Maluf (PP). Essa é a opinião de analistas ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. O deputado lidera as pesquisas de intenção de voto no maior colégio eleitoral do País (22%), no cenário que exclui o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso na Lava Jato, e recebe ainda o apoio de políticos-símbolo do malufismo.
 
A identificação de Bolsonaro com parte do eleitorado paulista produziu um fenômeno nesta campanha: o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) é o único dos candidatos ao Planalto mais bem colocados nas pesquisas a ter um desempenho fraco em seu próprio Estado (16%). Bolsonaro é, para analistas, a reedição do neopopulismo de direita, fenômeno caracterizado por líderes carismáticos surgidos nos anos 1980 e 1990 com o confronto entre a cultura democrática e a autoritária com o fim de ditaduras na América do Sul. Essas lideranças associavam o discurso da força e da ordem à defesa do liberalismo econômico, como Alberto Fujimori, no Peru.
 
Em São Paulo, tal bandeira se resumia em um slogan: "A Rota vai para a rua". Usado por Maluf, maior expressão dessa corrente no Estado, o discurso unia valores conservadores à defesa da linha dura contra o crime. "São eleitores que estão capturados por uma liderança que pode ser caracterizada como neopopulista no sentido de que não tem muita preocupação com valores democráticos e vai na direção neoliberal pela promessa de desenvolvimento econômico, sem preocupação com o social, como é a promessa de crescimento econômico como a do PT e do PSDB", disse José Álvaro Moisés, professor do Departamento de Ciência Política da USP.
 
Em sua passagem pelo interior, Bolsonaro encontrou malufistas como o aposentado Carmelindo Gonçalves de Aguiar, de 82 anos. "Ele (Maluf) está no fim da carreira agora, mas fez muito por esse Estado." Aguiar foi ver Bolsonaro em Barretos. "Vou votar nele. Quando ele fala que lugar de bandido é na cadeia, está certo." O vendedor autônomo Lauro Alves de Andrade, de 57 anos, era malufista e agora é Bolsonaro. "Quando trabalhava em São Paulo, o Maluf colocava a Rota para pôr ordem na cidade. Se roubou, pelo menos fez. Tem gente que não faz e rouba", disse, após tirar foto com Bolsonaro. Neste ano - e pela segunda vez desde 1986 -, Maluf estará ausente das urnas, após ser preso e ter o mandato de deputado cassado.
 
 
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